Vive La France!

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    Elizabeta S. Drahoslav
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    Vive La France!

    Mensagem por Elizabeta S. Drahoslav em Seg Mar 25, 2013 1:20 am



    VIVE LA FRANCE!


    Eis que a morte o encarava, com indulgência. Mas ele não podia aceitar tal olhar, ele havia lutado mesmo sem ganhar, ele havia tentado mudar o mundo! Encheu os pulmões de orgulho e ar e gritou “Vive la France”.

    Segundos depois um homem, segurando uma bandeira vermelha, caiu pela janela morto e nos próximos dias muitos outros também caíram pelas janelas depois ou antes, de dar seu último suspiro, de ter seu último vislumbre do mundo. Mas naquela batalha perdida aquilo já não importava porque, no fim só sobravam cadáveres e viúvas na multidão.

    Não importava se eram meninos bravos ou homens covardes, todos ali encontraram um lugar para cair morto, seja na lama ou pela janela com seu pano vermelho.
    Ah! O vermelho pintava do chão ao teto do mesmo jeito que a lama e a sujeira; Nunca lhe falaram como morrer é vergonhoso, como não há honra naquilo. É o fim. E pior que o fim é ter ninguém para chorar sua morte, ninguém para te enterrar, ninguém para sentir sua falta.

    De um lado, corpos colocados um do lado do outro. Corpos virados e corpos saqueados enquanto um capitão, o vilão, andava por entre eles pensativo.

    Mulheres na porta choravam. Aqueles ali, jogados como lixo, eram seus filhos, aqueles que rasgando saíram de seus ventres, aqueles em que seu seio os alimentou e em seus braços os aninhou.

    Outras choravam por amor, aquele jovem – afinal, lá todos eram – amor. Despedaçavam-se, matavam-se. Qual sentido teria a vida se aquele que lhe fornecia o ar morreu?

    Homens também não eram impunes, os mais abastados elogiavam a coragem do imperador enquanto os outros tiravam o chapéu para aquela legião de rebeldes estúpidos e tolos.

    Porém, ninguém pareceu sofrer tanto como aquela que veio depois do sol. Tão sozinha e desolada ao mesmo tempo que totalmente invisível. Ninguém jamais saberá seu nome ou sua origem ou muito menos lembrará que ela existiu, para muitos era apenas uma chorando a morte de vários.

    Estavam retirando os corpos em uma carroça qualquer quando uma mulher, uma senhora, desgrudou-se de seu filho; um rapaz que aos seus olhos era ainda aquela criança e saiu andando até onde os guardas, os vilões, estavam.
    Fizeram um monte de corpos, o cheiro era insuportável e mesmo assim ela continuou andando e manchando seu vestido de vermelho sem olhar para os lados, sem derramar uma lágrima.

    E naquele monte lá estava ele, não havia como saber se de fato era ele. Seu rosto estava manchado de sangue, como tudo por ali, mas coração de mãe nunca se engana. Nunca. Aquele era seu outro filho. Outro a quem amou, velou, cuidou; Estava jogado como lixo aos montantes, despedaçado e manchado com o vermelho, a mesma cor que seu filho usava na camisa na espera de ser jogado em uma carroça qualquer. Só os ricos saíram impunes.

    Então ela caiu de joelhos na terra imunda.

    No fundo, ela sabia que um filho havia matado o outro. No fundo ela sabia que isso um dia ia acontecer pois eles eram tão iguais e ao mesmo tempo tão diferentes que isso não era uma surpresa. No fundo de seu coração sabia que ambos iam ser indigentes e que não haveria ninguém para chorar sua morte que não fosse ela. Seus únicos filhos, seus únicos milagres.

    Chorava silenciosamente, antes de ser arrastada para longe para lugar a um carniceiro. Não chorava, não tinha mais lágrimas. Mas temia. Temia tanto que era como se seu coração fosse explodir; Temia pelo futuro, pelos outros e principalmente pela alma de seus filhos.

    Que Deus os Perdoe! Que Deus os salve!
    Pensava sozinha enquanto do lado de fora ainda conseguia escutar a voz de seus filhos, seus pequenos meninos, a gritar na noite sombria: Vive la France! Vive La France!




    NOTAS DA AUTORA
    DRAMA Então, eu assisti Les Miserábles hoje e nunca chorei tanto como naquele filme (Baixei ele ilegalmente porque sou V1D4 L0K4). Sério, eu nunca chorei em filmes porque sou daquelas que se acaba de rir vendo TITANIC (Sem zoa). E como estou dramática hoje decidi escrever algo, sabem como é. Muita coisa pra fazer mas vontade que é bom, nada!. A ideia principal era de uma garota apaixonada, mas dai minha mãe me ligou e eu mudei de ideia. Não é uma coisa boa, vou avisando, mas eu gostei -qn. A Classificação é Livre.

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